Ivan Justen Santana

Foto de Albert Nane

.

Sim, eu também já fui daqueles chatos de galocha
pra quem nenhum verso, nenhuma frase prestava.

E agora, por não querer ser mais um crica broxa,
talvez eu sofra, ao inverso, de complacência brava.

Enfim: minha visão crítica (seja rígida, seja frouxa)
não melhora nem piora as artes da palavra,

e estes dísticos aqui, com essas rimas de trouxa,
contam pouco ou nada à poesia que hoje se grava.

Mas quero e vou celebrar assim, nas coxas,
as tantas maravilhas lidas por mim, sem trava.

Por mais que pegue e largue métrica (era nenhuma),
rimas (névoas-nadas de vaidades, truques e firulas)

– e ainda que achem que só aumento o cordão
dos puxa-sacos – destaco que a poesia está à solta:

sim, assim como as bruxas, a violência e o horror,
tem cada vez mais poetas, cada vez mais arte ao redor,

cada vez mais merda e lixo, sim, mas cada vez mais
são mais motivações e mais razões e mais canções

pra criar mais alegria: multiplicar o prazer
e assassinar a dor.

.

~ por Barbara Kirchner em 23/05/2014.

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