Almir Feijó

almir

Imperdível! Vem aí, primeiro em e-book, um presentaço do Almir Feijó!

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Com capa do Soruda San Luiz Antonio Solda, ilustrações da magnífica Leila Pugnaloni e prefácio do gigante Roberto Prado.

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A louca

Sabe aquela mulher que costumava passear pelas estrelas, bastando deitar-se e fechar os olhos? Sou eu. Estou de volta de uma daquelas viagens. Foi a mais demorada de todas. A Via Láctea tinha tantos planetas, tantos sóis, que os meus olhos se ofuscaram (Esses olhos pudendos, me dizias.) – e eu não soube encontrar o ponto de retorno. Visitei o buraco negro. De repente estava diante de ti, teu sexo sem nexo, diante do qual, genuflexa, entrava em vertigem. Vi anjos, os paradoxos. Não apenas um ou dois: um séquito. Fiquei perplexa. Pois alvíssimas vestes vestiam, plúmbeos, desconexos; uma brancura estupenda, algodã. Propuseram-me um repto: capturar a lógica. Ofereceram-me, de estipêndio, toda uma galáxia. E quando me recordo do supremo sacrilégio – indagar-me por que não funcionava o relógio – me surgiram, de abrupto, num enorme estrépito, o cheiro da romã, um eixo convexo, um campo polimagnético. Abriram-me o córtex. Então mergulhei em mim. Era, sem cores, o inverno. E, quando me vi a beira do inferno, sobreveio um eflúvio, uma exalação. Descobri que uma força avassaladora, um jardim com todas as flores, todos os sabores, odores, todas as dores – você – havia destruído minha razão.

(Almir Feijó)

Almir-Feijó

~ por Barbara Kirchner em 18/05/2014.

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