Flávio Jacobsen: O dia em que a rua tomou os palácios

flavio-002Flávio Jacobsen

(Foto: Renato Quege)

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Repórter, bastante nervoso, feito refém, dá as notícias. As rádios, tevês e jornais estão sob o controle do caos:

“Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais urgente! O Oil Man tomou a Prefeitura em uma bicicletada de sábado! Repito: a Prefeitura está com o Oil Man! Aviso aos estudantes: passe livre é toda sexta lá no terreiro do Pai Maneco. Vão de bike que é melhor.

O transporte coletivo caiu nas mãos da Maria Louca (não é quem vocês estão pensando, é aquela dos strip teases em terminais e coletivos da cidade). Nem toda nudez será castigada. Central, ela não está para brincadeiras! Não tentem nenhum truque!

Vêm do Afonso Pena relatos de que o Pretinho-Imitador-de-Boeings infiltrou-se no Aeroporto. Ninguém entra. Ninguém sai. Ele emite sons estranhos da torre. Câmbio!

Rumores rezam que a Mulher de Plástico juntou-se aos catadores de papel e está neste momento em reunião na Vila Capanema decidindo o que fazer com todo lixo da cidade, incluso o meio campo do Paraná Clube. Reciclar é preciso. Câmbio!

Batista de Pillar está com todos os poetas da cidade no Largo da Ordem. Eles são perigosos! Com eles estão ainda os zumbis do Pshyco Carnival que descem do Cemitério Municipal.

Efigênia e Hélio Leites lideram passeata do botão rumo à Pedreira Paulo Leminski, seguidos por todo o bloco Garibaldis e Sacis. É o caos, senhores! Repito: não tentem nenhum truque!

O Polaco da Barreirinha aliou-se à Anã Eslava. Distribuem sonetos e gritam impropérios em língua estranha. Tradução: ‘Casei com um polaco depois do quinto uísque, e até hoje não sei pronunciar meu sobrenome!’ (versão do Maxixe Machine).

Inri Cristo invade a Catedral! Só sai de lá se o Papa vier ao seu encontro. Quem quiser que vá se queixar ao Bispo. As beatas vibram mais que malaco em festa de São Francisco.

A velhinha do Borboleta 13 pousa no Jardim Botânico. Traz consigo o bilhete premiado e o jacaré do Barigui. Ademir Plá fechou os pedágios com canções de protesto. A cidade está cercada! A Ópera de Arame terá seu arame eletrificado. Repito: eletrificado! Todos planejam uma nova Agenda Arte. Repito: uma nova Agenda Arte!

Nero está na linha. Liga em desespero do Rio. Quer participar da festa, botar fogo em tudo. Alô, Nero! Ninguém entra! Libertado. Próximo!

Mazzinha, Ministro das Forças Desarmadas (segundo o Solda) e irmão do Mazzão Vozeirão-Sobrancelha, invade o Museu do Olho com o grupo 10enhistas. Porções de buchinho à milanesa do bar do Edmundo dão sabor ao novíssimo vernissage.

É erguida uma estátua da Gilda defronte o Palácio. Os poetas já beberam demais. Repito: a cidade está cercada! A nova ordem está instalada. Ninguém entra. Ninguém sai. Câmbio final!”

O Vampiro assiste a tudo de sua janela, no Alto da XV. É Atletiba, deve ser. Um sorriso lhe vem. Fecha a cortina, desliga o rádio e volta a um mini-conto genial de tão bestinha.

(Flávio Jacobsen)

~ por Barbara Kirchner em 01/12/2013.

4 Respostas to “Flávio Jacobsen: O dia em que a rua tomou os palácios”

  1. grande jacobsen. você vê. forte abraço, irmão. e babi, brigado sempre pelo afeto. bjs. lepre.

  2. dá-lhe, Leprê… tudo de bom… beijo, Bárbara…

  3. Flavio, só que anda Sob esse Céu cinzento, Que Não Nos Protege.
    È que pode ver tudo isso, passando por ai.
    Cara de curita, essa é dos tempos idos e vindos.
    Adorei o texto.
    bjux

  4. que massa, jacobsen!

    ótimo mesmo, o texto!

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