Thadeu Wojciechowski

Foto by Daniel Caron

.

Thadeu Wojciechowski é um homem das letras

.

Paula Melech

.

Por vezes, o seu ritmo é tão turbulento que fica difícil acompanhar todos os passos de Thadeu Wojciechowski. O sujeito das letras deixa transparecer o multifacetado artista que escolhe a arte para enxergar o mundo: é poeta, compositor, publicitário, professor de literatura e língua portuguesa. O homem ainda arruma tempo para tocar um blog, o Polacodabarreirinha’s.

 O curitibano de quase 60 anos é inquieto – tem 27 livros editados, 12 por editar e mais de mil canções com cerca de 50 parceiros. Os números dão uma boa medida para o tamanho das ambições do artista.

Preenchendo tudo com delicadeza, o Polaco da Barreirinha, como é conhecido, pensa na música e na literatura como uma extensão natural de sua vida. No departamento sonoro, ele compôs mais de 120 canções com Octávio de Camargo e Bárbara Kirchner, além de cultivar parceiros como Walmor Góes e Carlos Careqa.

Cheia de camadas, as sílabas se enroscam e tecem um painel criativo e bem humorado na sua vasta produção literária. É aqui que ele convoca Saboro Nossuco, alter ego que assina o último livro Koan do como onde (2009). Thadeu recebeu a reportagem para um bate-papo regado a café em sua casa, no bairro Barreirinha, em Curitiba.

.

O Estado: Como você vê o cenário da literatura em Curitiba?

Curitiba faz uma poesia de alta voltagem e de muita qualidade. Além de ser a capital mundial do rock, a cidade tem muitos e bons poetas e é referência para todo o Brasil.

A nova geração herdou um patrimônio magnífico e está fazendo excelente uso dele. Uma pena que a mídia dedique tão pouco espaço à cultura e ao que rola na cidade. Creio que se não fossem os blogs muita coisa permaneceria inédita.

O Estado: O seu processo criativo acontece de forma deliberada ou você organiza um tempo do seu dia para produzir?

Um pouco de cada. Chega um amigo, a festa começa e não tem hora para acabar. Lá pelas tantas, é fatal que a gente comece a fazer uma nova canção ou coisa que o valha.

Poesia é conversa entre pessoas inteligentes, então qualquer assunto pode se transformar em motivo para se cometer um poema ou uma letra. Mas claro que tem os momentos em que escrevo sozinho. E como escrevo! Quem acompanha o meu blog sabe muito bem disso. Sou um terrorista.

O Estado: Você se lembra do momento em que a poesia surgiu na sua vida? Como foi?

Muito cedo, tão logo comecei ler e a escrever. Minha mãe declama muito bem e despertou em mim o gosto pela poesia. O Augusto dos Anjos foi o primeiro poeta que me chamou a atenção. Minha mãe declamava Versos íntimos e eu achava aquilo maravilhoso. De lá pra cá, ainda mantenho o mesmo ídolo.

O livro Eu, pra mim, é uma jóia rara da poesia universal. Depois vieram Machado de Assis, Guimarães Rosa, Dalton Trevisan, Nelson Rodrigues, poetas diferentes e que quase não escrevem ou escreveram em versos.

Mas fazem ou fizeram poesia de alta voltagem. Na música , também tive uma influência muito forte, acho que virei compositor no mesmo dia em que ouvi o Jimi Hendrix pela primeira vez. O cara abriu o mundo para mim.

O Estado: Que motivações o levam a escrever?

O prazer principalmente e acima de tudo. Quando escrevo um texto ou faço uma música que eu gosto, isso me dá uma enorme alegria. Esses dias a atriz Claudete Pereira Jorge foi lá em casa e me encomendou uma peça de teatro.

Ela precisava do texto pronto em três dias. Eu nunca tinha escrito nada para o teatro, mas sentei e escrevi. E gostei do que li depois. Acho que motivação maior do que gostar do que faz não existe.

O Estado: Como a música apareceu na sua vida e qual a relação dela com o seu trabalho literário?

Acho que já respondi a uma parte dessa pergunta, mas acho que tem tudo a ver. É muito tênue a linha que separa um poema de uma letra. Há alguns anos, eu escrevi um poema chamado Vida e jamais o imaginei como letra.

No entanto, o Ulisses Galleto o musicou e o Guilherme Dias o transformou em história em quadrinhos. Você põe um poema no mundo e ele cai na vida, não está nem aí pra você. Essa é a coisa mais gratificante.

O Estado: Como é o seu processo criativo como letrista? Você precisa ser guiado pela melodia da canção ou é a própria letra que dá direção à música?

Os dois. Às vezes, eu faço a música inteira em questão de segundos. Ás vezes demora e tenho que sentir para onde caminha a melodia. Eu e o Octávio somos espartanos na hora de compor. Vamos encaixando sílaba a sílaba.

A formação clássica dele nos moldou a compor dessa maneira. Já com o Walmor Góes a coisa é mais explosiva, normalmente resolvemos rapidamente as canções. Talvez pelo tempo que a gente compõe junto, são mais de 30 anos.

.

Matéria publicada no Jornal O Estado do Paraná, 14/02/10

~ por Barbara Kirchner em 13/09/2013.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: