Marcelo Brum Lemos: Fabulário

Pequeno auditório para meias-palavras

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FABULÁRIO DE FABULINHAS

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(contículos psicodsticos)
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A Fera de Dentro

A fera que vive de vento comeu-me primeiro as orelhas. Depois entrou pelo crânio e foi procurar as almas lá dentro. Olhou, olholhou e escolheu a melhor – a mais bonita?, a mais franzina?.
A fera então comeu minha alma de vento. Eu, o que fiz? Calei, tomado pelo oco-vácuo da falta daquele frio de dentro.
Mas nas veias me corria um urso com pele de estrelas, um rosto de criança triste, e um navio. Apiedei-me das duas faces do monstro. Eu o que sou?
“Somos a mesma substância”, eu lhe disse, “o monstro que somos”. Ela sorriu, a bandida!
Mesmo condenado, ainda acariciei-lhe o pêlo. Um fraco. Agradecida, a fera de vento comeu-me primeiro as mãos.

(Marcelo Brum Lemos)

~ por Barbara Kirchner em 29/02/2012.

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