Rodolfo de Proença


Araucárias da Praça Tiradentes

(Foto: Maringas Maciel)

.

A primeira visão das araucárias

Eleva-se a manhã no mundo e a luz é nova sobre a Terra.

A sombra assombra os velhos deuses, que fogem assustados.

E as altas araucárias vão em busca desse alvorecer,

correm, cabelo ao vento, altivas,  o corpo esbelto e belo,

milhares delas pelo campo avançam sobre a Serra verde

em ondas, como fossem mar,  em hordas, grave procissão,

raízes que caminham, sobem montes impossíveis

a fim de ver a imensidão do amanhecer.

Alça-se inda mais o sol e o céu se abre como uma rosa,

as araucárias plantam-se na crista das montanhas,

momentâneas, ao longe o som marinho,

a brisa vibra-lhes os cabelos, cheios de luz.

E lançam olhos ao poente, sobre o Iguaçu,

que escorre verde, lento e denso,

imensa artéria desses campos infinitos,

seu movimento é o próprio tempo

e o mundo são as bordas desse rio.

Ao fim o Iguaçu se precipita em quedas,

garganta da existência inteira, se entrega,

como uma fêmea, ao Paraná, que o traga

e perpetua.

E tudo é visto desde a Serra.

.

(Rodolfo de Proença)

~ por Barbara Kirchner em 11/07/2011.

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