Memórias de Fim de romance

596

(Foto/Exercício: Haroldo Viegas)

DIA A

Teto preto. Luz Clarão. E realmente a sala continuava lá, à espera.

No peito, segundo atrás contido-esquecido, voltou a zunir aquele querer. Reflete: hoje foi dia de tentar passar o tempo para um momento que não aconteceu. Passou o dia, horas agora voando, e os ouvidos mudos, abafados, com um trem subindo goela acima.

Isso é sintoma de falta de amor. Vontade de ingerir algo que crie esquecimento. Passar solvente no coração. O  mundo interno chegando ao seu cúmulo, como o instante em que, caindo de um precipício, antes de beijarmos o chão, estupefatos vemos asas brotadas da Alma a nos alar.

DIA B

Não mais com a câmara sob o tecido nervoso central. Apenas habita.

DIA C

A reviravolta não deixa, insiste, esmurra a racional porta. Às vezes implora, apedreja. Mas não adianta chamar. O que vai com Ele, só Ele pode lembrar. Canteiro, a brisa da memória dos dedos roídos, como se cada gota de pranto pudesse guardar no tempo o dia em que se decide ir embora, enfim, com ponto final.

(No tempo de Requiem)

~ por Barbara Kirchner em 02/07/2011.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: