Rodolfo Brandão de Proença Jaruga

2329317862_b6cb5a08692329316976_f1c1c9388c2329318360_c78e58f9d32329318426_518990a20eFotos de Rodolfo Brandão de Proença Jaruga

Meditações noturnas em St. Marks Place

A verdade do homem não pertence aos homens. A verdade de si pertence ao outro, a ele. Ele é um mistério e ao mesmo tempo a possibilidade de mim mesmo. O outro é ao mesmo tempo um estranho e um íntimo. Essa tensa coincidência é o que possibilita a persistência do eu. Eu nunca está em mim. Eu é um espasmo que se multiplica num labirinto de espelhos. Eu é também e sempre um outro para mim mesmo.

(NY, 29.mar.08)

Tudo o que é real morre. Tudo o que não morre é uma criação do homem. O que morre nasceu de si mesmo, como todo homem.

(NY, 25.mar.08)

O espaço é uma extensão da memória, é a expansão da memória também, do tempo passado ressignificando-se. O espaço é a instância do sentido, o jardim. O espaço é a vigência do antes na carnatura do mundo. O mundo é a carne, a carnatura do signo. A carne não é mero suporte do significado. A carne é a dimensão doente da existência, de um mundo sobrevivente ao abismo do nada, de um mundo que é memória e impulso para o além.

(NY, 13.mar.08)

Toda palavra dói. As palavras são fragmentos do um. E o trauma da cisão (houve antes e sempre há cisão) lateja em cada signo, em cada instância do mundo. O mundo é o movimento dos fragmentos do todo. O todo já foi um, e jamais o será outra vez. O todo a cada vez é outro, mas sempre é o mesmo. Os fragmentos também são as relações entre os fragmentos: nada é substantivo. Ser só é possível na tensão entre os signos que suspiram e morrem. O tempo é o tempo entre o começo e o fim de uma possibilidade de significação. O tempo quase sempre é o fim de um quase nada, de um quase quase. Ser o homem não é apenas ter a possibilidade de fim, é ter a possibilidade de começo. Nascer não é um mistério, é uma condição. A carne que surge não surge morta: plena de significado ela vem a um mundo pleno de significado. A carne que lateja no ventre da mulher já é, já vale, já sofre as vicissitudes da existência, avassalada por um universo tensionado; e aquela carne tenra não possui qualquer possibilidade de defesa. Nascer é engolir o mundo. A carne significa. O signo carnifica-se. Sempre. A carne apodrece e isso é o tempo. O signo fenece e isso é o tempo. Entre a carne e o signo repousa o eu, no meu caso, quase nunca em calma.

(NY, 11.mar.08)

Rodolfo Brandão de Proença Jaruga
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(Mais um post surrupiado do Magnífico Albert Nane)

~ por Barbara Kirchner em 07/05/2011.

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