Flávio Jacobsen

1987

Mini

Nus, deitados. Janela, céu e lua. Estrelas. Soalho de madeira liso, colchão. Disco de vinil riscado, Billie. Prato de macarrão no chão, de lado, com restinho. Coca-cola, lata amassada que reluz de luar. Quatro olhos para o nada, envoltos no matiz azul.

– Sabe o que eu faria se você se fosse um dia? – ela diz.
– Como assim? Se eu fosse embora? – ele.
– Não. Se você morresse, Deus me livre.
– Ah, sim. O quê?
– Eu acho que eu ia entrar para aquele convento, ali bem perto da tua casa, sabe?
– Sei… – ele ri. – Nossa… por quê? – traz ela mais juntinho.
– Só pra ver tua mãe passar, todos os dias. De manhã…

O abraço une os corpos em lágrimas. Corações mais Billie virada num toc-toc bem baixinho. De paixão, cegos, amanhece um dia.

Flávio Jacobsen

~ por Barbara Kirchner em 07/05/2011.

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